Brasil e União Europeia reconhecem adequação mútua em proteção de dados pessoais
Strategic & Regulatory Analysis | Data Governance | International Transfers

Brasil e União Europeia deram, em janeiro de 2026, um passo histórico na governança global de dados pessoais ao reconhecerem, de forma mútua, a adequação de seus regimes de proteção de dados.
A decisão, anunciada pela ANPD e pela União Europeia, elimina barreiras estruturais às transferências internacionais de dados, reduz custos regulatórios e posiciona o Brasil entre as jurisdições de mais alto padrão de privacidade do mundo.
A decisão de adequação é um instrumento previsto na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) que autoriza transferências internacionais de dados quando o país de destino oferece um nível de proteção considerado equivalente.
No caso Brasil–UE:
A Comissão Europeia reconhece que o Brasil assegura proteção adequada aos dados pessoais;
O Brasil, por meio de Resolução da ANPD, reconhece que a União Europeia oferece grau de proteção compatível com a LGPD.
São decisões unilaterais, juridicamente autônomas e coordenadas, mas com efeitos convergentes.
A adequação muda de forma estrutural a lógica das transferências internacionais de dados:
✔️ Dispensa de cláusulas contratuais padrão e salvaguardas adicionais
✔️ Redução de custos jurídicos e de compliance
✔️ Aceleração de operações digitais e fluxos transfronteiriços
✔️ Maior previsibilidade regulatória para projetos internacionais
Para empresas brasileiras, isso significa acesso facilitado ao mercado europeu, com cerca de 450 milhões de consumidores, sem entraves artificiais de compliance.
Do ponto de vista do titular de dados, a decisão garante que:
Dados pessoais transferidos para a UE receberão o mesmo nível de proteção assegurado aos cidadãos europeus;
Permanecem válidos mecanismos de fiscalização, responsabilização e reparação em caso de uso indevido.
A equivalência reforça a efetividade extraterritorial da LGPD e consolida direitos fundamentais no ambiente digital.
A decisão tende a impulsionar:
Pesquisa científica e cooperação acadêmica
Saúde, ciência de dados e inteligência artificial
Projetos conjuntos entre empresas, universidades e setor público
Ambientes regulatórios confiáveis para inovação tecnológica
Com isso, o Brasil passa a integrar a maior área de fluxo seguro de dados do mundo, envolvendo aproximadamente 700 milhões de pessoas.
Nos termos da própria LGPD, a decisão não se aplica a transferências realizadas exclusivamente para fins de:
Segurança pública
Defesa nacional
Segurança do Estado
Investigação e repressão criminal
Do ponto de vista de governança de dados e estratégia regulatória, a adequação Brasil–UE representa:
🔹 Elevação do Brasil ao núcleo regulatório global de dados
🔹 Redução de risco jurídico em operações internacionais
🔹 Forte sinal positivo para investimento estrangeiro
🔹 Base sólida para projetos em IA, healthtech, fintech e govtech
Não é apenas uma decisão técnica — é um reposicionamento geopolítico e econômico do Brasil na economia digital.
A adequação mútua entre Brasil e União Europeia marca a maturidade institucional da LGPD e da ANPD, fortalece a soberania digital brasileira e cria um ambiente de confiança, previsibilidade e integração internacional.
Trata-se de um divisor de águas para empresas, cidadãos e para a inserção estratégica do Brasil no cenário global de dados.